Semana Santa em Araci: fé, morte e ressurreição

Autor: Franklin Carvalho
Publicado em: 31/05/17

Foto: Danilo Victor

 

Os ritos da Semana-Santa estendem-se do Domingo de Ramos até o domingo seguinte, de Páscoa. Há, no entanto um período de preparação espiritual, chamado de Quaresma, que por sua vez tem início na Quarta-Feira de Cinzas. A Quaresma é marcada pela prática de jejum e penitência, além de vias sacras realizadas às sextas-feiras e liturgias especiais nas missas.

1) As vias sacras s√£o prociss√Ķes que reproduzem o julgamento de Jesus, a caminhada em dire√ß√£o ao calv√°rio e o sepultamento, com paradas em catorze pontos chamados esta√ß√Ķes. Elas s√£o realizadas na zona urbana, entre a pequena capela (Capelinha) e a igreja, na pra√ßa principal (Pra√ßa Nossa Senhora da Concei√ß√£o). Podem ocorrer tamb√©m da capela do Bonfim (Alto do Bonfim, localidade a aproximadamente 5 Km do centro da cidade) para a Igreja, passando pela Capelinha ou n√£o. Quanto ao hor√°rio, acontecem √†s quartas e sextas-feiras, de dia, logo cedo ou no fim da tarde, quando o percurso envolve o Bonfim, ou √† noite, quando vai da Capelinha para a igreja.

2) O Domingo de Ramos representa a abertura da Semana Santa e √©, paradoxalmente, com rela√ß√£o aos dias dolorosos que se seguir√£o, um momento festivo. Isso ocorre primeiro por causa das folhas verdes trazidas pelos fi√©is, principalmente galhos de palmeiras (Attalea oleifera –¬†pindoba), para serem bentos durante a prociss√£o. Como j√° se sabe, a celebra√ß√£o faz refer√™ncia √† entrada de Jesus em Jerusal√©m, montado num burrico, e √† recep√ß√£o calorosa que teve naquela cidade. O colorido das folhas faz a diferen√ßa na liturgia, que inicia na igreja e conclui com o desfile pelo centro da cidade, geralmente numa manh√£ ensolarada. Ainda a respeito desta solenidade, √© costume guardar-se a palha, mesmo seca, para us√°-la em situa√ß√Ķes de mau tempo. Caso caia um temporal, conta-se, basta arremess√°-la para fora de casa para aclamar a chuva ou trovoada. A palha benta √© geralmente afixada com prego atr√°s da porta principal das casas, protegendo-as contra qualquer mal que queira adentr√°-las.

3) A movimenta√ß√£o de fi√©is √© grande tamb√©m na Quarta-Feira Santa, na Prociss√£o do Encontro, que representa o momento em que Nossa Senhora avista Jesus durante a sua caminhada em dire√ß√£o ao Calv√°rio. A cerim√īnia ocorre √† noite. As mulheres da cidade saem da Igreja ou da Capelinha em prociss√£o, entoando c√Ęnticos, carregando a imagem de Nossa Senhora das Dores, e seguem em dire√ß√£o √† pra√ßa principal. Simultaneamente, os homens saem de outro ponto da cidade (pode ser a Capelinha ou a casa de um membro da igreja) carregando a imagem de Nosso Senhor dos Passos (Jesus em posi√ß√£o de queda, com a cruz √†s costas), tamb√©m entoando hinos. Os dois grupos se encontram em frente √† igreja, onde as imagens, ambas em tamanho natural, vestidas de roxo e carregadas em andores de madeira, s√£o contrapostas, como num encontro de duas pessoas. As imagens s√£o levadas em seguida para o interior da igreja e os fi√©is se dispersam.

4) Na quinta-feira, por volta das 18 horas, acontece a Missa do Lava-P√©s, com representa√ß√£o da Santa-Ceia, onde o padre faz o papel de Jesus e lava os p√©s de 12 homens, os quais¬†¬†trajam t√ļnicas, figurando como os 12 ap√≥stolos.¬†¬†Encerrada a missa, os fi√©is se dispersam e grupos de homens seguem para o Bonfim, portando copos de papel com velas (fogar√©us), a fim de participarem da Prociss√£o do Fogar√©u, cerim√īnia que rememora a pris√£o de Jesus no Horto das Oliveiras. Enquanto isso, as mulheres oram na igreja. No Bonfim, os homens fazem uma breve ora√ß√£o e voltam, caminhando em filas com as velas acesas, marcando um trajeto de luz nas costas do morro, enquanto entoam hinos dolorosos. Ao chegar √† cidade, avan√ßam pelas ruas mais pr√≥ximas da pra√ßa e depois seguem para a Igreja, onde o evento se encerra com uma b√™n√ß√£o do padre. Recentemente, o costume tem mudado com a participa√ß√£o de mulheres, primeiro clandestinamente, depois com a prova√ß√£o da igreja. Outra altera√ß√£o √© no ponto de partida da prociss√£o, que passou a sair da igreja, imediatamente ap√≥s a missa do come√ßo da noite. Neste caso, um √ļnico grupo vai e retorna, com as velas acesas todo o tempo.

5) Na sexta-feira, as fam√≠lias jejuam pela manh√£ e se banqueteiam com caruru, vatap√°, bacalhau e vinho no almo√ßo. Neste dia faziam-se visitas e celebra√ß√Ķes no cemit√©rio, costume quase abolido, e peregrina√ß√Ķes ao Bonfim, em grupos de fi√©is ou por iniciativas isoladas, o que continua ocorrendo. As pessoas acendem velas ou colocam pedras em torno ou nos bra√ßos das 14 cruzes que representam as esta√ß√Ķes ao longo do morro ou na pr√≥pria capela, no alto. O costume do banquete e do vinho permanece, embora um padre (Padre M√°rcio) tenha solicitado a transfer√™ncia deste almo√ßo para o Domingo de P√°scoa e mesmo a sua supress√£o, por penit√™ncia. Ainda na sexta-feira, ao p√īr-do-sol, √© feita a Prociss√£o da Paix√£o, na forma de uma via sacra, nas ruas pr√≥ximas √† pra√ßa. Uma mulher interpreta Ver√īnica abrindo, nas esta√ß√Ķes, o manto onde se estampa o rosto de Cristo ensang√ľentado, imitando o Santo Sud√°rio.¬†¬†A cada parada, ela sobe em um banco carregado por um ajudante e canta ‚ÄúOuvi todos que passais a caminho do labor, atendei, v√™de se h√° dor igual √† minha dor‚ÄĚ. A melodia √© entoada em voz agud√≠ssima, chorosa, √† luz do crep√ļsculo. Ver√īnica √© o personagem essencial desta solenidade, embora haja tamb√©m volunt√°rios representando Nossa Senhora, Jo√£o Ap√≥stolo e outras figuras da Paix√£o. Seguem-nos o esquife com o Senhor-Morto, que est√° descoberto e √© segurado por seis homens, como um caix√£o em f√©retro, e um andor com a imagem de Nossa Senhora das Dores (vestida em manto roxo). Ap√≥s a prociss√£o, somente o padre, seus ac√≥litos e os carregadores das imagens entram na igreja. Eles arrumam estas imagens e pouco depois abrem as portas para que o povo em fila venha beij√°-las. Come√ßa a√≠ a vig√≠lia, ritual doloroso de venera√ß√£o ao corpo do Cristo finalmente morto.¬†¬†Os c√Ęnticos, inclusive o Of√≠cio da Imaculada Concei√ß√£o e o Of√≠cio da Paix√£o, avan√ßam at√© as 2 horas da manh√£, e quanto mais tarde fica, mais triste √© a vig√≠lia. Recentemente, a vig√≠lia foi sendo reduzida, encerrando-se √† meia-noite.

6) No Sábado de Aleluia, pela tarde, acontecia uma via-sacra. Como se concebe que Cristo está morto, não se pode tocar o sino. Apenas a matraca (placa de madeira com pedaço de ferro que se debate ao ser balançado, provocando um som de ra-tá-tá-tá), convoca os fiéis para a  procissão pelas ruas. Recentemente, este evento foi transferido para a tarde da sexta-feira. À noite, acontece a Missa de Ressurreição, de Páscoa ou de Aleluia. A celebração começa na entrada da igreja, com o acendimento de uma grande vela, chamada círio ou brandão, pelo sacerdote. Esta vela acende outras que são trazidas pelos fiéis e o fogo vai se propagando de pessoa para pessoa. Assim que todas as velas estejam acesas, a comunidade entra no templo e a missa começa.  Em seguida, acendem-se as luzes e apagam-se as velas. Antigamente a missa acontecia à zero hora de sábado para domingo. Atualmente, a missa inicia às 20 horas de sábado, encerrando-se por volta da meia-noite ou um pouco mais tarde, com procissão no final.  Esta missa da ressurreição e esta procissão são as que contam com menos pessoas na programação da semana. No caso da procissão, é a que tem menor trajeto, resumindo-se à praça, enquanto outras abraçam ao menos as ruas adjacentes (As vias-sacras e a procissão da paixão são, pela ordem, as maiores em trajeto). Na noite de sábado pode acontecer a queima de Judas por iniciativa de populares.

Observa√ß√Ķes:

1) Na vig√≠lia do Cristo-Morto (sexta-feira), o ‚Äúcorpo‚ÄĚ (imagem), que tem tamanho natural e est√° deitado sobre um esquife colocado pr√≥ximo ao altar da igreja, √© beijada e tocado. O mesmo acontece com o v√©u fin√≠ssimo de tecido roxo que o envolve, seja cobrindo-o ou apenas amparando a imagem, a depender de cada ano. Fi√©is alisam o corpo marcado com os estigmas de tortura, ajoelham-se ao lado dele, beijam-no, oram, olham-no com aten√ß√£o e muito sentimento e colocam suas crian√ßas, mesmo beb√™s, para tocarem a pe√ßa. Cad√°ver, a est√°tua √© im√≥vel, como qualquer defunto.

2) Ainda na noite da sexta-feira, as imagens do Cristo Morto e de N. SSA das Dores estão colocadas em lados opostos do altar, cada uma ladeada por uma caixa para ofertório. Alguns fiéis dividem a sua contribuição para contemplar cada um dos santos, uma parte para Cristo, outra para Maria. A sexta-feira era marcada pela presença de pessoas que trajavam preto em sinal de luto pela morte de Jesus, costume que vem arrefecendo.

3) Se a ressurrei√ß√£o diz que o crucificado √© deus, como explica o cardeal da Bahia, √© a morte que o identifica como humano[1]. Talvez por isso, o ritual do funeral do Messias, na Sexta da Paix√£o, √© muito mais cat√°rtico e mais cercado de tabus[2]¬†e mais freq√ľentado do que a Missa de P√°scoa. Essa √ļltima, relativa √† ressurrei√ß√£o, tem uma tend√™ncia a reproduzir a Missa do Galo, da madrugada do Natal. Poderia se dizer que, na sexta, Cristo morre para toda a comunidade, que acorre √† Igreja ou participa de¬†¬†uma longa prociss√£o do¬†¬†esquife e do sud√°rio pelas pra√ßas, e no domingo ele ressuscita somente para o templo, que est√° escuro no come√ßo da cerim√īnia e cujas luzes s√£o ligadas para sugerir a ilumina√ß√£o do mundo. Acredito que os fi√©is acorrem √† prociss√£o da paix√£o como um momento de crise em que precisam intervir, como o adoecimento de um parente que precisa de socorro ou um funeral de algu√©m pr√≥ximo, mais propriamente dizendo. Por outro lado, faltam √† prociss√£o da ressurrei√ß√£o porque esta, assim como a supera√ß√£o de uma doen√ßa, ser√° informada atrav√©s de outros.

4) O ‚ÄúCordeiro de Deus‚ÄĚ (ou o corpo de Cristo),¬†¬†sacrificado e servido na comunh√£o, √© visto como carne de Deus, p√£o que se transforma em corpo ou mat√©ria de Deus, n√£o corpo humano de Cristo. A eucaristia √© a morte de Cristo reiterada a cada missa e, em seguida, a sua ressurrei√ß√£o. A h√≥stia √© inerte como um cad√°ver, mas o esp√≠rito vivifica o p√£o. A vida entra e sai.

5) Na Paix√£o cat√≥lica, Cristo morre ‚Äúpor nossos pecados‚ÄĚ, n√£o somente para redimi-los, mas por causa deles. N√£o somente para nos beneficiar, mas por nossa culpa, conforme demonstra a liturgia, especialmente alguns c√Ęnticos:

‚ÄúDe quanto sofrestes, fui eu causador, por estas torturas, perdoai Senhor‚ÄĚ

‚ÄúPor vossa ang√ļstia, prece e suor, c√°lice do horto, perdoai Senhor‚ÄĚ

‚ÄúPelas bofetadas, com que em seu furor, vos ferem no rosto, perdoai Senhor‚ÄĚ

(Perd√£o meu Jesus, An√īnimo)

 

‚ÄúEste cora√ß√£o ingrato e traidor √© t√£o desleal ao meu Redentor…

Ao meu Redentor, que para nos salvar, no lenho da cruz deixou-se cravar…

Deixou-se cravar entre dois ladr√Ķes, para satisfazer por nossas paix√Ķes‚ÄĚ

(A Nossa senhora da Piedade, An√īnimo)

 

6) O rito anual da Paix√£o, reproduzido em pequena escala nas missas cotidianas, familiariza a comunidade com a morte, incorporando-a √† rotina das pessoas, como a morte de Cristo se insere na rotina do calend√°rio anual.¬†¬†Todo morto refaz a trajet√≥ria do Messias (Cristo Morto), e voltar√° com ele, at√© porque √© velado e sepultado com o sinal da cruz. A cruz √© s√≠mbolo de sacrif√≠cio. Quando colocada sobre o t√ļmulo do fiel, iguala a sua morte ao sacrif√≠cio de Deus, sendo essa perda, por mais banal, tamb√©m uma obla√ß√£o pelo perd√£o dos pecados.

7) Todas as mortes, como a morte de Cristo, s√£o vistas como eventos n√£o-definitivos.¬†¬†O morto comum, como Jesus, passar√° do profano (vivo) para o sagrado (transcendental), e a id√©ia de que ele possa ressuscitar tamb√©m como o Cristo, funda a cosmologia cat√≥lica[3]. Essa cosmologia mant√©m uma rela√ß√£o de inter-colabora√ß√£o dos vivos com as almas dos mortos por meio de um instituto conhecido como Comunh√£o dos Santos, onde todos se beneficiam pelo m√©rito do conjunto de fi√©is. A id√©ia de ‚Äúalma‚ÄĚ tem a ver com uma alteridade sagrada, da pessoa j√° falecida[4]. N√£o se trata somente de resgatar o passado, o morto e a lembran√ßa do que ele foi, mas projetar uma retomada. Ao inv√©s de encerrar a trajet√≥ria existencial do falecido, manter-se permanentemente no limite (liminaridade) vivos-mortos/profano-sagrado, at√© o ju√≠zo final.

7) Uma informante de 90 anos, cat√≥lica praticante, relata que possui um cord√£o com 365 n√≥s que ela foi fechando ao longo de um ano, enquanto rezava, um Pai-Nosso para cada n√≥, para cada dia. O cord√£o ser√° atado √† sua cintura quando morrer, como demonstra√ß√£o de penit√™ncia. Como ela confeccionou, em outros anos, outros cord√Ķes, acabou presenteando os filhos com os sobressalentes. Guarda tamb√©m mortalha e camisola de madrasto para seu sepultamento.¬†¬†T√≠mida, ela fecha a porta da rua para me mostrar as pe√ßas. Ficamos na penumbra, examinando as vestes. Disse que s√≥ ora por seus mortos na igreja. Sabe que n√£o deve orar por eles em casa (um informante no cemit√©rio me havia dito a mesma coisa). A senhora de idade diz ter ouvido isso de um padre da ordem dos Capuchinhos, h√° muitos anos. Ela tamb√©m cita a ora√ß√£o ‚ÄúSonho de Nossa Senhora‚ÄĚ[5], a qual diz ter sido lhe repassada pelo mesmo sacerdote, e que hoje ela n√£o lembra mais. Segundo recorda, quem orar a dita ora√ß√£o ser√° avisado de sua pr√≥pria morte com anteced√™ncia de tr√™s dias, havendo tempo para se confessar.

 

 

Araci, 22/5/2012 (revisto em 26/11/2014)

[1] AGNELO, Dom Geraldo Magela, Universalismo Cristão, artigo no Jornal A Tarde, Coluna Opinião, 24.8.2008, pg. 3. RODRIGUES, José Carlos, Tabu da Morte, Editora Fiocruz, 2ª Edição Revisada, Rio de Janeiro, 2006, pg. 18.

 

[2] Segundo uma informante de 90 anos, em Araci, fiéis mortos na sexta-feira da paixão não eram sepultados naquele dia, reservado exclusivamente para as exéquias de Cristo, devendo aguardar até o sábado de aleluia. A sexta da paixão também está cercada de mitos relacionados ao aparecimento de fantasmas, licantropia, etc

[3]¬†Sobre as categorias do sagrado e do profano, transcrevemos Durkheim (1989): ‚Äú Todas as cren√ßas religiosas conhecidas, sejam elas simples ou complexas, apresentam um mesmo car√°ter comum: …A divis√£o do mundo em dois dom√≠nios, compreendendo, um tudo o que √© sagrado, outro tudo o que √© profano‚ÄĚ (p. 68)…A coisa sagrada √©, por excel√™ncia, aquela que o profano n√£o deve, n√£o pode impunemente tocar. Certamente, essa interdi√ß√£o n√£o poderia desenvolver-se a ponto de tornar imposs√≠vel toda comunica√ß√£o entre os dois mundos; porque se o profano n√£o pudesse de nenhuma forma entrar em rela√ß√£o com o sagrado, este n√£o serviria para nada‚ÄĚ (p. 72) (Durkheim, Emile, As Formas Elementares da Vida religiosa, S√£o Paulo, Ed. Paulinas, 1989,

[4]¬†Como assinalou-nos um informante, no cemit√©rio de Araci, na Sexta-Feira da paix√£o: ‚Äúeu rezo por meu irm√£o onde ele est√° e, l√°, ele pede por mim aqui onde estou‚ÄĚ, ou ainda, como se l√™ no Of√≠cio das Almas¬†[4], ‚ÄúPede a Deus por mim que rogarei a Deus por v√≥s, pois v√≥s fostes como n√≥s e n√≥s seremos como v√≥s‚ÄĚ.

 

[5]¬†Encontrei refer√™ncias na internet (Pan-Hispanic Ballad Project –¬†http://depts.washington.edu/hisprom/optional/balladaction.php?igrh=0702)¬†¬†de uma tradi√ß√£o a√ßoriana:

0702:1¬†La Virgen¬†sue√Īa la Pasi√≥n (8+8 estr√≥f.)¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† (ficha n¬ļ: 2788)

Versi√≥n de¬†A√ßores s. l.¬†(A√ßores,¬†Portugal).¬†¬† Recogida por The√≥philo¬†Braga, antes de 1869. (Colec.: Braga, T.). Publicada en¬†Braga 1982,Cantos, 66. Reeditada en¬†Costa Fontes 1997b,¬†√ćndice Tem√°tico¬†(¬© HSA: HSMS), p. 259, U12.¬† 026 hemist.¬† M√ļsica no registrada.

 

 

Senhora Santa Maria,    seu cabelo de ouro fino.

2

Perguntou seu bento filho    se velava ou dormia.

 

Respondeu Nossa Senhora:¬†¬†¬†¬†–Filho, perguntas se velo?

4

eu não velo e não durmo,    pela vossa vinda espero.

 

Sonhei esta noite um sonho,    mais valera não sonhá-lo:

6

que o meu filho era morto,    numa cruz crucificado;

 

seus sagrados pés e mãos    numa cruz estão pregados;

8

a sua sagrada boca    cheia de fel e vinagre.

 

–Calai-vos, oh minha m√£e,¬†¬†¬†¬†Senhora Santa Maria!

10

N√£o valera n√£o sonhar,¬†¬†¬†¬†que isso verdade seria!–

 

Quem esta oração souber,    quando este mundo largar,

12

as portas do céu abertas    de par em par achará,

 

pelas portas do inferno,    nunca por lá passará.

 

 

H√° vers√Ķes mais recentes difundidas

(http://sentinelanoescuro.com/2011/11/02/o-sonho-de-nossa-senhora-na-espiritualidade-popular/):

O Sonho de Nossa Senhora:¬†Estando Nossa Senhora / Com seu livro d‚Äôouro na m√£o / Meio lido, meio rezado, / Chegou seu filho Jesus. / – M√£e minha, / Que fazeis aqui? / – Eu nem durmo nem rezo; / Esta noite sonhei um sonho, / Cruel Sonho!, / Vi-vos amarrar com rigorosas cordas, / Vi-vos prender com rigorosas correias. / M√£e minha, / Tudo quanto v√≥s dizeis / √Č uma pura verdade. / Quem esta ora√ß√£o disser / Tr√™s vezes ao dia / De m√° morte n√£o morrer√°, / O inferno n√£o ver√°, / Tr√™s [dias] antes da sua morte / Minha m√£e Maria Sant√≠ssima lhe aparecer√°: / – Filha minha, / confessa os teus pecados / a meu filho Jesus. / Est√£o perdoados.

 

Franklin Carvalho é jornalista e escritor