Emancipação Política

Autor < Publicado em: 09/05/17

Supressão e restauração do Município de Araci – 1930-1959

 

 

No ano de 1930 encerrava-se através de um golpe de Estado a República Velha, derrubando o então Presidente da Republica Washington Luís. Getúlio Vargas assumiu a chefia do Governo Provisório em 03 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha e inicia a era Vargas. Nos Estados, os governadores foram afastados e em seus lugares assumiram os Interventores Federais. No caso da Bahia quem assumiu o governo foi Artur Neiva.

Com a nova configuração política do Brasil e seus estados, muitos dos pequenos munícipios da Bahia foram extintos através do decreto n. 7.478, de 7 de julho de 1931, entre eles, o de Araci, que passou a subprefeitura do munícipio de Serrinha. Nesta época, Araci tinha como Prefeito José Pedro de Carvalho, que com a nova condição não quis continuar no cargo e renunciou. Assumiu o cargo de sub-prefeito em agosto de 1931 José Verdelino Pinheiro.

A anexação ao Município de Serrinha desagradou e entristeceu bastante os habitantes de Araci, que tanto lutaram para obter sua autonomia em 1890, desmembrando-se do município de Tucano. E agora se viam, conforme cita Maura Mota Carvalho Lima, em seu livro História de Araci “sob os domínios de Serrinha”, ”tendo sido deixado o município, que já não era rico financeiramente, desassistido em suas necessidades”.

Além da nova condição de subprefeitura que teria seus recursos financeiros reduzidos e tudo o que se arrecadava com os impostos era direcionado para Serrinha, sem que houvesse um justo retorno em benefícios, os aracienses ainda padeciam com uma grande seca que assolava todo o Nordeste, o que intensificava ainda mais o sofrimento da população. Essa seca ficou conhecida como a grande seca de 1932 e teve dimensões catastróficas numa época em que não existiam cisternas e carros pipas. A única fonte de água que amenizou a situação foi a bica do Quererá, distante 18 Km de Araci, onde grande parte da população ia buscar barris de água montados no lombo de burros, carros de boi ou em carroças.

O quadro político de Araci ainda sofreria nova queda, quando em 1935 passou a existir apenas como um simples Distrito de Paz.
Durante quase três décadas Araci ficou pertencendo ao município de Serrinha. Tendo apenas o cargo de subprefeito e alguns vereadores que eram eleitos para representação na Tribuna Serrinhense. Eles constantemente exigiam que Araci fosse assistido em suas necessidades, o que na maioria das vezes não acontecia.

Os aracienses desde que perderam a autonomia do município, em 1931, nunca desistiram de restabelecê-la. E constantemente iam buscar apoio em Salvador junto aos correligionários políticos que pudessem interceder pela causa. Uma matéria no Jornal Estado da Bahia, de 5 de setembro de 1958, destaca uma comissão de aracienses formada em prol da restauração do município em visita ao Legislativo baiano. Faziam parte da comissão José Tibúrcio, Eziquiel Dias Barreto, Erasmo Carvalho, José Oliveira Lima, José Brigido, Júlio Carvalho, Valdir Paraiso de Carvalho , Demerval Góes, Deusdete Alves, João Pereira de Pinho, Davi Oliveira, Inocêncio Moreira, Rodolfo Pinheiro, João Evangelista e José Bacelar Carvalho.

Após muitas idas e vindas, de dificuldades e complôs no processo de restauração, finalmente a Lei n. 863, de 15 de novembro de 1956, Araci é desmembrada de Serrinha. Em 3 de outubro de 1958 houve a eleição do primeiro prefeito, Erasmo de Oliveira Carvalho, e somente em 7 de abril de 1959, data em que ele foi empossado, de fato o município foi instalado. 

 

Prefeitura de Araci. Comemoração dos 20 anos de Emancipação Política . 1979

 

Posse de Erasmo Carvalho, 1959                                                                                                    

 

 

 

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Bandeira de Araci

 

FONTES:
Arquivo Público da Bahia.
LIMA, Maura M. Carvalho. História de Araci,
Acervo do Professor Anatólio Oliveira.

Jornal Folha dos Municípios, Araci-Bahia

Texto: Pedro Juarez Pinheiro

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